Artigo: Conectando mentes e máquinas: A robótica educacional como uma ferramenta pedagógica auxiliar no processo de desenvolvimento infantil.

 

Conectando mentes e máquinas: A robótica educacional como uma ferramenta pedagógica auxiliar no processo de desenvolvimento infantil.

Igor Ramon Oliveira Costa

RESUMO: Neste texto, é discutido o uso da robótica educacional para aprimorar o desenvolvimento cognitivo das crianças. A robótica educacional pode ser benéfica para o desenvolvimento infantil, pois permite a interação, o diálogo e a brincadeira, além de contribuir indiretamente com a construção de comunidade. Essa ferramenta pedagógica pode ser muito útil nas mãos de bons professores, que podem utilizá-la para desenvolver as habilidades mencionadas anteriormente. No entanto, é importante lembrar que a robótica educacional não deve ser considerada um agente autônomo dentro do ambiente escolar e que seu uso consciente e com objetivos claros requer conhecimentos técnicos e pedagógicos específicos. Em resumo, a robótica educacional pode ser uma excelente ferramenta para aprimorar o neurodesenvolvimento infantil, mas somente quando utilizada corretamente por profissionais qualificados.
 




Para uma melhor compreensão do conceito de Robótica educacional, vamos primeiramente dividir o conceito. A Robótica compreende um ramo da engenharia que envolve a concepção, design, fabricação e operação de robôs. Sendo assim, poderemos conceber a robótica educacional como o  “O uso da robótica no processo de ensino e aprendizagem (na prática educacional) como uma ferramenta de aprendizagem e para alcançar objetivos sistemáticos de aprendizagem”. Ou seja, a robótica educacional não deve ser vista como uma aula para passar o tempo, e sim como uma ferramenta, que, quando bem empregada pelo docente, pode transformar a aula em algo muito mais vivo, dinâmico e significativo.

Ao adentrarmos no mundo da Neurociência e de seu escopo no estudo do sistema nervoso e de duas funcionalidades, encontraremos os três elementos que norteiam o estudo dessa ciência: o cérebro, os nervos periféricos e a medula espinhal. Eles fazem parte do sistema nervoso, sendo responsáveis por coordenarem as atividades voluntárias ou involuntárias. Além disso, a Neurociência analisa o comportamento e as emoções humanas. Podemos, porém, dizer que a Neurociência explica não somente as reações do corpo, mas os fenômenos da mente. Portanto, é um campo científico que busca revelar estruturas, processos de desenvolvimento e alterações que possam ocorrer ao longo da vida.
 

 
O neurodesenvolvimento infantil pode ser definido como sendo o conjunto de habilidades com as quais o pequeno passa a interagir com o meio que o rodeia. No entanto, esse contato se dá de forma dinâmica e será determinado pela idade, a maturidade, os estímulos presentes no ambiente de convivência e os fatores biológicos. Esses conjuntos de habilidades é muito diversificado e, entre outras, englobam: habilidades sensoriais (a visão, audição), a manipulação, a comunicação e a linguagem, os comportamentos, os afetos, as emoções, a motricidade global, as competências cognitivas não verbais e verbais.



"A Neurociência 
explica não somente 
as reações do corpo, 
mas os fenômenos 
da mente"


Mas como a robótica educacional pode favorecer o neurodesenvolvimento infantil?  Como dito acima, o neurodesenvolvimento pode ser considerado como um conjunto de habilidades adquiridas. Logo, se a criança possui essas habilidades, entende-se que ela alcançou esse desenvolvimento. Se não as tem, é sinal que seu desenvolvimento está prejudicado ou em deficit. Essas habilidades são a consequência de algo, ações realizadas durante a vida da criança. Entre as  experiências que levam a criança ao pleno neurodesenvolvimento estão a conexão, a conversa, o brincar, a convivência em um lar saudável, a vida em comunidade. São essas ações que proporcionam o bom neurodesenvolvimento de uma criança desde sua fase intrauterina até os seis ou sete anos de idade.
 
 

 
A robótica educacional entra diretamente neste contexto como uma ferramenta de conexão, conversa  e brincadeira, e de, forma indireta, na comunidade. Ela é uma ferramenta pedagógica que pode ser de grande valia nas mãos de bons professores e pode se tornar o meio pelo qual as habilidades citadas acima, serão trabalhadas. Além disso, uma boa aula que utilize a robótica educacional, pode facilmente proporcionar uma excelente experiência de conexão, conversa e brincadeira:  três dos cinco pontos chaves para um bom neurodesenvolvimento.
 
 
"uma boa aula que utilize a robótica, 
pode facilmente proporcionar uma 
excelente experiência de conexão, 
conversa e brincadeira:  três dos cinco 
pontos chaves para um bom neurodesenvolvimento."
 
A robótica educacional não deve ser compreendida como um agente escolar vivo e independente. Mas o que isso quer dizer? A robótica educacional precisa ser usada conscientemente e com um objetivo claro, ela não é um agente independente que vai, por si só, ensinar e desenvolver os alunos. Deixar os alunos entretidos com equipamentos robóticos ou eletrônicos não é robótica educacional, é somente entretenimento.



Para aproveitar todos os excelentes benefícios que a robótica educacional pode oferecer, é fundamental que ela seja utilizada como uma ferramenta por alguém devidamente capacitado. Nesse sentido, a escola ou professor que deseja implementar a robótica educacional em suas aulas precisa investir em conhecimento técnico e pedagógico. Isso significa que é necessário que os profissionais envolvidos no processo de ensino e aprendizagem tenham um amplo entendimento das ferramentas tecnológicas utilizadas, bem como habilidades pedagógicas para integrá-las ao currículo escolar de maneira eficaz. Dessa forma, a robótica educacional pode ser aproveitada ao máximo como uma ferramenta de ensino e aprendizagem, contribuindo para a formação de estudantes mais preparados para os desafios do mundo contemporâneo.


Sobre o Autor
 
Professor Igor Costa trabalha com formação docente aplicando formação para professores de Educação infantil. Tem curso de alfabetização e BNCC pelo MEC, trabalhou na APAE Ceará-mirim por 3 anos, tendo assim experiência com pessoas com deficiência. Atualmente é estagiário da empresa NatalMakers e está em processo de finalização do curso de Pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), participa também de um grupo de pesquisa sobre o papel das emoções na socialização Infantil, no Núcleo de Educação infantil(NEI UFRN).

As atividades propostas pelo professor Igor Costa no Site Fora da Sala podem ser encontradas no link - Clique aqui.
 

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